DÉBORA MARINHO

Universo Multifocal

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1944 e venceu o Festival de Música Popular Brasileira com a canção A Banda em 1966. De lá pra cá tem contribuído para a cultura brasileira nas áreas da música, teatro e literatura. 


Sua fase mais criativa foi durante o período da ditadura militar no Brasil, quando usou música e teatro como forma de resistência e protesto. Canções como Apesar de Você, O Sabiá, Cálice e Meu Caro Amigo estão entre as mais conhecidas com esse propósito.
O teatro também revelou-se uma poderosa arma tanto contra o sistema opressor quanto contra a violência urbana, social e nas relações de trabalho. Peças como Roda Viva, Gota D’água e Ópera do Malandro ressaltam a cultura e o imaginário popular valorizando comportamento e costumes cariocas e brasileiros.
A alma feminina ganha primeira pessoa na fala de personagens e nas canções feitas para serem interpretadas por mulheres marcantes em nossa música como Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa entre outras. Chico conseguiu apreender o universo feminino com absoluto lirismo e uma métrica indefectível. Na voz de Nara leão, por exemplo, podemos apreciar a musicalidade e a poesia de Chico na canção Soneto.

 

“Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo

Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste

Com que raio de luz me iluminaste

 

Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio”

 

A sensibilidade dos textos femininos de Chico encanta por sua delicadeza ao mesmo tempo que denuncia a condição social na qual são colocadas as mulheres de ontem e de hoje. Da voz feminina em Chico podemos ouvir a força e a beleza da mulher que chora, que sofre, que deseja, que se entrega. É uma viagem apaixonante e surpreendente por canções como Olhos nos Olhos, Folhetim, O Meu Amor e tantas outras.
Fico por aqui pensando ainda nos amores descritos de tantas maneiras por Chico Buarque com a certeza de que, apesar do sofrimento, existe um sentimento maior que permeia lugares e tempos e nos faz acreditar que ainda há um futuro. Termino assim com meu Capítulo 47, desejando que o amor nos brinde com um futuro melhor.

 

Flutuam emoções
No ar da paixão
Bem mais que visões
Do velho coração

Ainda a pulsar
O corpo aquecer
Teus lábios beijar
Até o amanhecer

Bailamos assim
Eternos amantes
Pra sempre, enfim,