PEDRO ERNESTO

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A poesia de Pedro Ernesto

QUEZIA OLIVEIRA

Pedro Ernesto não é poeta famoso, de renome, mas a poesia está em cada etapa de sua vida. Já foi até mesmo elogiado por Carlos Drummond de Andrade, um dos momentos de maior reconhecimento em sua carreira.

 

Hoje o poeta, com seus 80 anos, relembra que se apaixonou pela poesia ainda muito cedo. Com sete anos de idade já começava a escrever. A inspiração veio do pai, que gostava muito de ler e declamar. Foi daí que o tempo passou e a literatura o acompanhou. Mesmo seguindo a carreira pública, era na poesia que encontrava a verdadeira satisfação. “Sempre fui funcionário público, e aproveitava os intervalos e momentos livres para escrever poesia”, relembra.


A inspiração está em tudo e em todos, desde as paisagens mais singelas, até as relações interpessoais. “Tudo que vejo, sejam as coisas mais corriqueiras, vira poesia. Amigos, antigas namoradas, minha poesia sempre foi muito visceral e passava também pelo cenário político e social”, conta.


Pedro coleciona prêmios e homenagens. O poema “A Fome”, por exemplo, venceu o concurso de poesias Ana Amélia; “Quinzão e Quinzinho” ficou em 2º lugar no Prêmio Carioquinha de Literatura da Prefeitura do Rio de Janeiro; e “Não Sei Nadar” conquistou o 2º lugar do Prêmio Gilka Machado. Entre suas obras estão “Poemas sem Futuro” e “Frederico e Outros Poemas”.


Quando se trata de suas maiores realizações, o escritor logo se lembra do elogio que recebeu de Carlos Drummond de Andrade, um dos seus maiores orgulhos e arrependimentos, já que Pedro rasgou o bilhete elogioso. “Ele mandou através de um amigo, um bilhete elogiando meu livro ‘Poemas sem Futuro’, dizendo algo do tipo ‘gostei de sua poesia, é comunicativa’. Na época achei o elogio arrogante e acabei rasgando o bilhete, me arrependi muito depois!”, revela o escritor aos risos.


Pedro Ernesto não vê sua vida sem a poesia, apesar de achar que o Brasil poderia ter avançado muito mais nesta área. “Escritores do passado tinham certa ‘proteção’, podiam viver disso. Hoje não. Parece que somos esquecidos. Mas essa é a nossa vocação, e mesmo com dificuldade continuaremos fazendo poesia”, completa o autor.


Para ele, a leitura é o segredo para um país melhor. “A leitura abre a visão do homem para tudo. Nas escolas, por exemplo, os livros não deveriam ser tarefa de casa. Deveriam, sim, fazer torneios e rodas de leitura para estimular nossas crianças, com uma leitura mais simples e métodos mais modernos. A leitura é e sempre será essencial para a formação de uma nação”, conclui Pedro Ernesto.