FOTOGRAFIA

Bernardo Nort usa a fotografia para expressar suas ideias e mudar o país

Um ser em movimento

CAMILA MENDONÇA

Em minha estreia na Revista Circuito, fui incumbida de entrevistar o fotógrafo Bernardo North. Jovem, sensível e muito simpático, Nort conta vários momentos de sua vida. Infância rica culturalmente, adolescência movimentada e curso incompletos - inclusive o de Fotografia – Bê para os íntimos – mostra que gosta de viver experiências. E foi dessa forma que reencontrou a Fotografia. Na prática.
Bernardo optou pelo caminho da Educação para ampliar sua arte e ajudar a mudar o país. E estuda, agora, Pedagogia.  Conta como um mochilão pela Europa com sua primeira máquina fotográfica profissional pode apurar seu olhar para o nosso país. O que fica claro é o seu amor e respeito pela cidade, ao bairro (onde nasceu e vive até hoje), à fotografia, à arte em geral...

 

“Bernardo Nort Teixeira Campos é o meu nome completo. Os mais íntimos me chamam de Bê, ao mesmo tempo que é por Nort que sou conhecido popularmente. Fui nascido, criado e ainda resido em Laranjeiras, bairro limite entre a Zona Sul e o Centro do Rio de Janeiro. 
   “Tive uma infância rica culturalmente pelo fato de meu pai ser funcionário público do Ministério da Cultura e por minha mãe ser Designer. Foram inúmeras peças de teatro, apresentações de circo, exposições artísticas e tardes no estúdio de fotografia. 
   “Parte da minha história de vida foi marcada pelo rótulo de marginal provindo de parte da sociedade. Durante a infância, o fracasso escolar era eminente, fui apresentado às drogas ainda na adolescência e não dei continuidade a nenhuma aula extra classe... Frequentei muitos cursos e a maioria deles está incompleta até hoje. Dentre eles o curso de Fotografia no Ateliê da Imagem. Neste caso, matava aula para namorar! 
   “As entrelinhas da minha adolescência foram compostas de muita persistência para avançar as séries escolares, acolhimento familiar, amigos e namoradas que tiveram suma importância na constituição de quem sou hoje! 
   “As diversas instâncias da fotografia sempre estiveram presentes no meu dia-a-dia. Ainda jovem trabalhei para alguns colegas de trabalho da minha mãe, tratando ou recortando as imagens no photoshop. Mais adiante tive a oportunidade de modelar. Em 2013 fui convidado para fazer o registro de um projeto social no Vale do Jequitinhonha, fiz stencils pelas ruas do Rio durante anos e recentemente fui convocado como assistente de Direção de Artes em um comercial do Mundial. 
   “Foi somente no ano de 2017 que tive a minha primeira e única câmera profissional (Cannon T1i). Neste ano realizei um mochilão por Portugal e a câmera foi a minha única companheira.
   “Recém chegado da Europa, pude perceber com clareza as realidades brasileiras conflitantes que apareciam diante das minha lente. Dizem que é preciso conhecer outras formas de organização social para entender a sua. Neste contexto, o meu trabalho fotográfico dá-se pela explanação de paisagens virgens e de paisagens urbanas país a fora. 
   “Além das fotografias cruas, as minhas criações por sobreposição de imagens fazem muito sucesso. A minha primeira venda foi uma imagem rebatida e sobreposta. Após esta venda, me senti preparado para apresentar o meu trabalho nas ruas! Foi na feira da General Glicério onde armei o meu varal fotográfico: ‘Vendo fotos e troco ideias’. 

    “A atual situação política do Brasil e do Rio fomentam a efervescência da contracultura. Foi durante a ditadura militar que surgiu um dos maiores movimentos musicais brasileiros de todos os tempos: a tropicália. Atualmente, tenho certeza que grandes artistas de todas as áreas estão dando os seus primeiros passos rumo ao sucesso. A rua é o palco, o museu, o picadeiro... 
   “Diferentemente das outras artes, a fotografia imortaliza momentos históricos fielmente! Esta é uma janela da realidade, promovendo ao espectador uma imersão àquela época e instante. Pretendo tornar o meu trabalho cada vez político através do sentimento que as imagens transpassam. Sejam os sentimentos de descontentamento, revolta e indignação que as fotos de manifestações e áreas urbanas trazem... Ou de paz, bem estar e harmonia que as fotos das paisagens trazem consigo. 
   “Gostaria de aproveitar este espaço concedido pela Revista Circuito para fazer um apelo aos leitores para valorizarem todos os tipos de arte!  Profissões como musicista, atriz, escritor, poeta, pintor, fotógrafo, circense etc. são tão nobres quanto qualquer outra! Reconheço a dificuldade de muitos amigos que optaram viver de sua arte. 
   “Para a minha vida, optei por seguir o caminho da educação. Estudo pedagogia porque acredito que é através de um trabalho de base que iremos mudar o país. Por favor, dê ao artista e ao professor o mérito que merecem. Sou um agente de transformação social, sou altruísta! 
   E você?”
Para conhecer mais da trajetória e da obra e dos trabalhos de Bernardo Nort, visite @bernardo.nort.